domingo, 26 de julho de 2020

[LIVE] Mulheres negras, feminicídio e políticas públicas


Arte: Higor Pereira

No dia 31 de julho, às 19h, ao vivo no Facebook da Utopia Negra - Enegrecendo a política amapaense (facebook.com/UtopiaNegraAp), vai rolar a live “Mulheres Negras, feminicídio e Políticas públicas”. Alícia Miranda (Graduanda em História, atuante no coletivo Não vão nos calar e colaboradora da Frente de Apoio Emergencial às Mulheres vítimas de violência doméstica) e Alzira Nogueira (mulher negra feminista, com atuação política na luta antirracista e em defesa dos direitos das mulheres, com formação em Serviço Social e mestrado em Sociologia) vão conduzir o debate. Imperdível!

Aproveitamos a oportunidade para também informar que estamos com uma vakinha online (https://www.vakinha.com.br/vaquinha/utopia-negra-amapaense), com o objetivo de arrecadarmos recursos para o aprimoramento do nosso site (http://www.utopianegra.com). O site tem como objetivo principal promover uma leitura sobre a realidade do Amapá através da perspectiva da negritude amapaense, fomentar debates que envolvam a população preta do estado, bem como criar uma rede de contatos com outras pessoas negras, a fim de construirmos juntos um quilombo virtual, atuante, qualificado e de mostrar toda a potencia da juventude preta do Amapá.

#NósPorNós #MulheresNegras #NegritudeAmapaense

sábado, 25 de julho de 2020

"GRITARAM-ME NEGRA" - DIA INTERNACIONAL DA MULHER NEGRA LATINO-AMERICANA E CARIBENHA (25 DE JULHO)

             

 VIVA TEREZA DE BENGUELA, VIVA AS MULHERES NEGRAS LATINAS E CARIBENHAS!
                                  MULHERES NEGRAS NÃO PAREM DE LUTAR!

Por Benedita Alves 

 


Imagem: Andressa Almeida

 

No Brasil e no mundo, mulheres negras revolucionárias sempre estão balançando e rompendo com estruturas da opressão racista. O legado de nossas ancestrais ecoa com força em mais um 25 de julho. Desde 1992, há exatamente 28 anos, um grupo de mulheres negras, que não se sentiam representadas pelas políticas e falas do feminismo branco, realizou na cidade de São Domingos, na República Dominicana, o Encontro de Mulheres Negras Latinas e Caribenhas, onde também nasceu o Dia Internacional da Mulher Negra Latina e Caribenha.

Hoje é um dia de luta Internacional, um dia especial, um símbolo que nossas companheiras latinas e caribenhas construíram para nos armar, inspirar e poder seguir a luta. Nossa griot Teresa de Benguela homenageada desde 2014 no 25 de julho, por sua coragem e determinação no enfrentamento ao sistema colonial escravocrata, liderou por duas décadas o Quilombo do Piolho ou do Quariterêre, atual cidade de Cuiabá. Uma líder, sem dúvidas. Criou um parlamento local, organizou a produção de armas, a colheita e o plantio de alimentos e chefiou a fabricação de tecidos vendidos nas vilas próximas. Seu exemplo de resistência nos enche de orgulho e admiração.

Hoje em dia, milhões de Terezas lideram suas casas, lutam pelo pão de cada dia para si e seus filhos, enfrentam o quartinho da empregada e o elevador de serviço pra receber 70% menos do que uma mulher branca, de acordo com dados do IPEA de 2016. Nós, mulheres negras, sofremos com o sexismo e a hipersexualização dos nossos corpos, somos as maiores vítimas de violência obstétrica, abuso sexual e homicídio – de acordo com o Mapa da Violência 2016, os homicídios de mulheres negras aumentaram 54%, enquanto os homicídios de brancas reduziram em dez anos no Brasil. Em nosso Estado (Amapá), a juventude periférica enfrenta a mira do racismo policial dia após dia e, assustadoramente, É A POLÍCIA QUE MAIS MATA NO BRASIL. 

 A griot Lélia Gonzalez denunciou em 1982 o “Lugar de Negro” que antes vivia nas senzala às favelas, cortiços, porões, invasões, alagados e conjuntos habitacionais dos dias de hoje. No Brasil e no mundo, gente rica tem espaço amplo, proteção, natureza, alimentação de qualidade, saúde, acesso a variados bens culturais, informacionais, profissionais, enquanto o povo negro amarga seu “exílio na periferia” e as políticas do péssimo ensino. Divisão de raça e classe. Na mesma trincheira estão nossas parentes lutando há mais de 500 anos contra a colonização de suas crenças, modos de vida, por seus territórios e pela floresta em pé. A carne mais barata, como protestou nossa mestra Elza Soares, é a que vai de graça pro subemprego, pra prisão e pro hospital psiquiátrico.

E por isso lutamos! 

A população negra vem crescendo em nosso país nos dados do IBGE. Segundo este instituto, desde 2015 brancos não são a maioria (nunca foram). Nós já sabíamos que o processo de branqueamento afasta a cultura negra e indígena das crianças seja na escola, TV, revistas, igrejas convencionais, etc. Isso vem mudando? Sim, mas não podemos comemorar. Na escola ainda se reforçam estereótipos de negro ladrão, a mulata morena e o índio preguiçoso. Por que será que não se identificavam antes? Afinal de contas, quem quer ser reconhecido por isso?

O racismo é sustentado pelo padrão branco dominante, sofremos violências em sequência, mas estamos aqui para falar das negritudes e etnias marginalizadas. Na América Latina e no Caribe, 200 milhões de pessoas se identificam como afrodescendentes, segundo a Associação Mujeres Afro, em 2016. A ONU afirma que dos 25 países com os maiores índices de feminicídio do mundo, 15 ficam na América Latina e no Caribe.

O dia de hoje é sobre tudo isso, era isso que nossas ancestrais latinas e caribenhas estavam falando. Elas disseram que estavam sofrendo e estavam denunciando a violência histórica do Estado e o feminismo racista. Quando Victoria Santa Cruz, afroperuana multiartista intelectual, lançou para o mundo o poema e performance “Gritaram-me Negra”, alertou o quanto o racismo pode nos fazer cair, nos fazer recuar, retroceder, gerando sofrimento e estranhamento dos nossos corpos desde criança. Mas ao mesmo tempo gritou que ser Negra! não era aquilo que o branco falava. E reinventou o que é ser Negra!   A dor deve se tornar luta contra o sistema capitalista e nossa história de resistência, orgulho!

Não desiste negra, não desiste!

 

1 - Na África Ocidental o griot é uma pessoa que tem por vocação preservar e transmitir as histórias, conhecimentos, canções e mitos do seu povo.


terça-feira, 21 de julho de 2020

Enegrecer a política brasileira: a atuação de mulheres negras no legislativo


Arte: Higor Pereira
 
É com satisfação que a utopia negra amapaense vem a público fazer a divulgação de um evento muito especial: no dia 04 de agosto de 2020, às 20:00h, pela nossa página no Facebook (Facebook.com/UtopiaNegraAp), promoveremos uma live com a presença da Deputada Estadual Mônica Francisco (RJ). Na oportunidade, ela conversará conosco sobre como tem sido sua atuação política no legislativo, enquanto uma mulher negra eleita. Mônica Francisco tem um longo histórico de luta, organização, militância e atuou lado a lado com a Marielle Franco, que é um símbolo de luta, inspiração e representatividade para tod@s nós. O legado de Marielle permanece nas nossas memórias e é força que nos inspira a continuar lutando por justiça e por um outro mundo possível à população negra periférica. 
Gostaríamos de destacar também que esse intercâmbio será mediado por Luana Darby, uma mulher negra amazônica e intelectual preta amapaense. Logo, a utopia negra vê esse intercâmbio como uma forma de aprendizado e compartilhamento de experiências em dois contextos regionais, e claro, sempre considerando as especificidades e potências das populações negras que vivem nas periferias das grandes cidades, seja no sudeste, seja na Amazônia.

Aproveitamos a oportunidade para também informar que estamos com uma vakinha online (https://www.vakinha.com.br/vaquinha/utopia-negra-amapaense), com o objetivo de arrecadarmos recursos para o aprimoramento do nosso site (http://www.utopianegra.com). O site tem como objetivo principal promover uma leitura sobre a realidade do Amapá através da perspectiva da negritude amapaense, fomentar debates que envolvam a população preta do estado, bem como criar uma rede de contatos com outras pessoas negras, a fim de construirmos juntos um quilombo virtual, atuante, qualificado e de mostrar toda a potencia da juventude preta do Amapá.

No mais, gostaríamos de agradecer publicamente pela disponibilidade da Deputada Mônica Francisco e fazer um chamamento a tod@s que acreditam num outro mundo possível à população negra desse país a virem somar com a gente. 
#NósPorNós #MulheresNegrasNaPolítica #NegritudeAmapaense

MAIS INFORMAÇÕES SOBRE A DEPUTADA MÔNICA FRANCISCO:

“A atuação da deputada Mônica Francisco é pautada por sua luta de 30 anos em defesa dos direitos humanos, na defesa da economia solidária, da agroecologia, no combate à violência contra mulheres, na promoção da igualdade de gêneros e contra o racismo.
Com uma vida forjada na luta e na fé, a deputada nascida e criada no Morro do Borel, na Zona Norte do Rio, chega aos 50 anos com uma trajetória construída no sobe e desce dos becos da favela, entre o trabalho como doméstica ou operária, os estudos, a família, a militância e a igreja, onde vive uma fé que se manifesta em defesa dos mais pobres e vulneráveis.
Na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, a deputada eleita com mais de 40 mil votos, é reconhecida pela capacidade de dialogar, a firmeza nas posições, a coerência na defesa do que acredita.
Ocupando a Alerj
Presidente da Comissão de Trabalho, Legislação e Seguridade Social
Vice-presidente da Comissão de Combate às Discriminações e Preconceitos de Raça, Cor, Etnia, Religião e Procedência Nacional
Vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito do Feminicídio
Membros das Comissões de Saúde, de Segurança Alimentar, de Assuntos Municipais e de Mulheres
Suplente das comissões de Constituição e Justiça, de Direitos Humanos, de Agricultura Pecuária e Políticas Rural, Agrária e Pesqueira, da Criança e do Adolescente.
Mônica Francisco foi assessora da vereadora Marielle Franco, que fora brutalmente assassinada em 2018. Antes, trabalhou no Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), organização criada por Herbert de Souza, o Betinho. O trabalho com projetos no Ibase despertou o interesse em estudar Ciências Sociais, curso que ingressou através da Política de Cotas, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, em 2008. Além de cientista social, Mônica é pastora evangélica e segue defendendo o respeito e a diversidade, para que a vida seja melhor para todos.
Em 2017 tive a honra e o privilégio de integrar a equipe do mandato da minha amiga Marielle Franco, onde construímos políticas públicas para as mulheres, para o nosso povo preto e para a população favelada. Mari foi arrancada de nós por quem trabalha com uma política baseada no medo e na dor. Em 2017 tive a honra e o privilégio de integrar a equipe do mandato da minha amiga Marielle Franco, onde construímos políticas públicas para as mulheres, para o nosso povo preto e para a população favelada.” Fonte: https://monicafrancisco.com.br/monica-francisco/

[Live] Educação antirracista: a educação escolar quilombola como ponta de lança


Arte: @euandressa.a

Adrian Barbosa*
Higor Pereira**

No dia 16 de julho de 2020 (quinta-feira), fizemos o debate sobre as potencialidades da experiência de educação escolar quilombola desenvolvida no Quilombo São Pedro dos Bois (município de Macapá) para pensarmos num projeto de educação antirracista. Foi muito massa. O vídeo completo pode ser assistido no link abaixo:

Live do projeto Utopia Negra - enegrecendo a política amapaense. Adrian Barbosa e Higor Pereira debaterão o tema "Educação antirracista: a educação escolar quilombola como ponta de lança"

Publicado por Utopia negra - Enegrecendo a política amapaense em Quinta-feira, 16 de julho de 2020


*Mestranda em Sociologia e Antropologia (UFPA). Quilombola da comunidade São Roque do Ambé.
** Mestrando em História (Unifap). Agente da Comissão Pastoral da Terra. 

segunda-feira, 20 de julho de 2020

AFINAL, O QUE É E QUAL A IMPORTÂNCIA DO FUNDEB?

*Neto Medeiros 


Foto - A crítica 

Para quem não sabe o que é o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação - FUNDEB vou tentar falar de forma simples, para aguçar sua CURIOSIDADE e você BUSCAR mais sobre sua IMPORTÂNCIA E URGÊNCIA: FUNDEB é o Fundo de Desenvolvimento e Manutenção da Educação Básica, que é composto por recursos arrecadados nós três níveis da administração pública, sendo a União (governo federal) contribuinte de 10% do valor total do Fundeb, que parece pouco, mas é extremamente importante para que todas as REDES atinjam o VALOR mínimo nacional por aluno, e haja estabilidade financeira nos investimos dos Estados e municípios na EDUCAÇÃO BÁSICA. Em linhas gerais o FUNDEB tem três finalidades:

1° Pagamento de professores;

2°Financiamento de todos os níveis e modalidades da educação básica

3° Aquisição de equipamentos, construção e manutenção de Escolas.

Sendo assim é importante que o FUNDEB seja tratado com responsabilidade, pois a sua extinção mesmo que transitória, como está descrita na proposta do atual governo, é prejudicial e contribui para que se perpetuem desigualdades, dificuldades e ocorra uma PERVERSA promoção do SUCATEAMENTO da educação PÚBLICA básica, que já enfrenta a décadas DIFICULDADES. Sendo assim, você precisa acompanhar tudo sobre o FUNDEB, pois a educação do seu filho, dos filhos dos seus amigos, sobrinhos, da galerinha da tua Ponte, de geral aí do Quilombo ESTÁ EM JOGO.

O FIM DO PRAZO DE VIGÊNCIA DO FUNDEB É 31 de DEZEMBRO DE 2020

O FUNDEB não é só isso, vamos buscar mais e ficar atentos hoje (20) a partir das 15 horas, pois teremos VOTAÇÃO NA CÂMARA, e o FUNDEB está sob RISCO DE NÃO EXISTIR EM 2021.

Acompanhe!

*Preto e Pedagogo

Servidor Público da Educação do Amapá

#FundebPermanente #Fundeb #educacaobasica #luta



 

 

quarta-feira, 15 de julho de 2020

Candidaturas negras no Amapá em 2014 e 2018

Nilson Gomes de Oliveira*


Foto: Amapá Digital

O que impede a representatividade de negros e negras na política? Bom, usualmente o tema é abordado pela ausência de representatividade, diversidade e pluralidade étnica. Nesta última década (2011-2020) a crise de representatividade que ficou em destaque, foi a representação política, ou seja, a relação de confiança entre eleitores e candidatos a prefeito, governador, vereadores, deputados estaduais e federais, senadores e presidente.

Isso ficou nítido a partir das jornadas de junho de 2013, com o questionamento sistemático aos políticos profissionais. Essa crise de representação política, esconde uma outra crise de representação. Qual seria? A crise de representação étnico-racial.

A partir disso o sistema de representação política da democracia liberal guarda em si, implicitamente e explicitamente formas de exclusão política que faz fronteira com o racismo institucional. Silvio Almeida diz que o racismo institucional se estabelece como um domínio, utilizando parâmetros discriminatórios baseados na raça, que servem para manter a hegemonia do grupo racial no poder. Nesse sentido, o racismo é dominação.

Do ponto de vista institucional encontramos vários sintomas da exclusão política de negros e negras da política representativa, para a manutenção de um padrão político dominados por homens brancos.

Nas eleições gerais de 1994 a 2010 para governador, deputados federais e estaduais, senador e presidente da república, o sistema de dados da Justiça Eleitoral ao tratar do perfil dos mesmos, não abordava as categorias raça/cor como forma de definir o perfil dos candidatos, constituindo desse modo, omissão institucional para sistematizar um banco de dados de candidaturas negras.  

A lacuna histórica acerca das candidaturas negras, não foi raio em céu azul. As raízes dessa omissão institucional, é derivado das formas de sociabilidade construídas em decorrência da herança colonial, escravocrata e latifundiária do Brasil.

O Tribunal Superior Eleitoral – (TSE) passou a contabilizar candidaturas negras nas eleições gerais, somente a partir de 2014, tendo contabilizado também em 2018.  No caso da Justiça Eleitoral, a terminologia estabelecida para auferir o quantitativo de candidaturas na ótica da raça/cor é: branco (a), pardo (a) e preto (a).

Em 2014 o Brasil registrou 26.174 candidaturas, sendo que apenas 84% foram válidas, portanto, 21.899. O registro de candidaturas de pretos e pretas em 2014 no Brasil foi de 2.422, o que corresponde a 9,25%.

Pardos tiveram 9.158 candidaturas (34,99%) e os brancos tiveram 14.377 candidaturas, sendo a maior fatia do bolo, com 54,93% das candidaturas. Em 2018 o registro de candidaturas foi de 29.085 candidaturas. O registro de candidaturas de pretos e pretas em 2018 foi de 3.160, representando 10,86% do total. Pardos vem logo em seguida com 10.368 registros de candidaturas, correspondendo a 35,7%. Os brancos seguem mantendo o maior número de candidaturas, com 15.241 candidaturas, representando 52,4% do total.

Agora fica um questionamento, e as candidaturas indígenas? Em 2014 foram somente 85 candidaturas indígenas, o que correspondeu na época a 0,05% do total. Nas eleições de 2018 tivemos 133 candidaturas indígenas, o que representou 0,46% do total.

Diante do cenário nacional, como é que funciona a dinâmica das candidaturas de negros e negras no Amapá? Vamos olhar os dados das eleições gerais de 2014 e 2018.

No Amapá em 2014 tivemos 547 registros de candidaturas, sendo que 476 (87,02%) forma consideradas aptas. As candidaturas de pretos e pretas somou 65 registros válidos (11,88%) do total. Brancos tiveram 179 candidaturas (32,72%) e pardos tiveram o maior índice, com 296 candidaturas (54,11%). As candidaturas indígenas teve 3 registros válidos (0,18%).

Na eleição de 2018 o cenário não mudou, seguimos com um número significativo de candidaturas de pardos e pardas, sendo 381 candidaturas (57,47%) de um total de 563 registros válidos. Os brancos somaram 174 candidaturas (26,24%). Pretos e pretas tiveram 103 candidaturas (15,54%). As candidaturas indígenas obteve 2 registros (0,3%).

O que podemos tirar desses números?

1º) O número de candidaturas de pardos e pardas a nível nacional não corresponde ao nível local. Elas são inversamente proporcionais, sendo a nível nacional menor e a nível local maior;

2º) As candidaturas de pretos e pretas segue o mesmo padrão do nível nacional em nível local;

3º) Candidaturas indígenas segue uma sub-representação em nível local e nacional.

4º) Os brancos em nível nacional ostentam os maiores números de candidaturas, correspondendo diretamente no maior número de representatividade política, enquanto no nível local o número de candidaturas brancas é menor, porém, o número de mandatos de brancos é maior. 

Na Assembleia Legislativa do Amapá – (ALAP) em 2014 tivemos 11 pardos, 11 brancos e somente 1 pessoa negra. Em 2018 o cenário mudou, temos na ALAP atualmente 15 brancos, 7 pardos e 2 pretos. O que impede a representatividade negra na política? Essa pergunta merece duas respostas.

Primeiro, do ponto de vista partidário. A esquerda, por exemplo, urgentemente deve atuar com pautas antirracistas e não somente com pautas de classe. É dever do campo progressista mobilizar a raça como luta política fundamental.  Nesse sentido, é preciso repensar a agenda partidária contra a precarização de candidaturas negras, visando converter as candidaturas negras em mandatos.

Em segundo lugar, o que vivemos no Brasil de fato, é uma real crise de representatividade étnico-racial. Quem vota e cria leis no nosso país é a raça dominante: os brancos. Isso em virtude do racismo estrutural que penetra todas camadas da vida social. O racismo não é algo que se ver somente nos xingamentos e humilhações, mas também podemos ver na política. A política precisa passar por uma revolução que seja dos negros pelos negros. 

Referências

ALMEIDA, Silvio Luiz de. Racismo estrural / Silvio Luiz de Almeida – (Feminismos Plurais / coordenação de Djamila Ribeiro) – São Paulo: Pólen, 2019.

PINHEIRO-MACHADO, Rosana. Amanhã vai ser maior: o que aconteceu com o Brasil e as possíveis rotas de fuga para a crise atual / Rosana Pinheiro-Machado – São Paulo: Planeta do Brasil.

http://www.tse.jus.br/eleicoes/estatisticas/repositorio-de-dados-eleitorais-1/repositorio-de-dados-eleitorais acessado em 15 de julho de 2020.


*É graduando do curso de Licenciatura em Sociologia da Universidade Federal do Amapá – UNIFAP. Também é estudante de graduação do curso de Bacharelado em Direito do Centro de Ensino Superior Amapaense – CEAP. Trabalha com os seguintes temas: Mídia e política, direitos sociais, direito e política e política e religião. Contato: niljesus33@gmail.com.

segunda-feira, 13 de julho de 2020

"TU SABES FULANO? LEVOU O FARELO!" - (DES) NATURALIZAR A NECROPOLÍTICA DA VIDA DO (A) AMAPAENSE


OPINIÃO – UTOPIA NEGRA

Luana Darby Nayrra da Silva Barbosa*
Cleiton de Jesus Rocha**

Quando estamos caminhando pela cidade de Macapá, Santana, Porto Grande, Ferreira Gomes ou qualquer outra parte do território Amapaense. O que vemos? O que sentimos? Se você for morador(a) desses lugares, tudo poderá ser familiar, e tudo que é familiar é difícil a gente estranhar. O estranhamento, ou a percepção dele, geralmente surge quando algo “muito louco” acontece. E falamos sobre o acontecimento — através da fofoca, fuxico, da troca mensagens no WhatsApp — com amigos (as) ou os nossos familiares. Como dizemos em casa “hei bicho vai cuidar da tua vida, e deixa a vida dos outros”. 
Mas, quando tratamos de uma vida em coletividade, desde o nosso nascimento, nós já nascemos nos relacionando com os outros. Nos relacionamos com a família, com as parteiras, padrinhos, madrinhas e amigos (as). Por que estamos falando disso? Não te afoba, afobado (a)!

Você sabe o que é necropolítica? 

Necro (palavra em latim),  literalmente significa morte. E política significa toda e qualquer forma de organização social, que visa gerenciar as nossas vidas em sociedades. Logo, tudo o que nos cerca, até mesmo o que você decide vestir, comer e fazer hoje, é tudo política. Quando a sua mãe (ou pai) fala “meu (minha) filho (a) não faça isso ou não fale isso porque isso pode te prejudicar”, esse saber prático é uma leitura política — evitar conflitos. Dessa forma, meu considerado/minha considerada, necropolítica é como o Estado, a partir dos seus mecanismos de controle, a mídia, a economia e a política institucionalizada acabam por gerenciar a vida e sua finitude - escolhendo pessoas passíveis de morrer. E a morte, mais do que um acontecimento trágico, que provoca dor e luto, pode ser lucrativa ou mesmo servir para a manutenção de determinados estruturas de poder.

Que estruturas de poder são essas?

Quando falamos que o Brasil executa o genocídio da juventude negra, estamos dizendo que o Estado, através da polícia, evasão escolar e da pobreza — acaba por expor vidas de jovens negros (as) a morte. E durante décadas o Estado, sabendo disso, acaba por fechar os olhos para esse crime contra a juventude negra. 
Quando falamos sobre o feminicídio (morrer só pelo fato de ser mulher, e a chance de morte aumenta se você for negra, trans e pobre) é uma estrutura de morte (machismo) o poder masculino que a sociedade dar ao homem – só pelo fato de ser homem. E o poder está nas mãos dos homens, mas especificamente, nas mãos de homens brancos.
Às vezes quando vemos essas noticias tão banalizadas nas mídias do Amapá, não nos damos conta que a dor e o luto não são sentidas somente no momento da morte de uma pessoa que outras pessoas já amaram, o luto se torna permanente e atinge toda a família da pessoa que foi morta. E essa dor no peito de uma mãe (pai) nunca irá ser curada. É uma dor em rede, ficará no tempo e na história dessa família como uma narrativa de violência nas suas memórias.
Quando assistimos os jornais e noticiários da mídia amapaense, é cotidiano você observar imagens de prisões e apreensões, cinegrafistas filmando a cara das pessoas, ou mesmo mostrando os corpos no chão abatidos — como se essas pessoas não fossem nada — e no dia seguinte, está escrito nas matérias jornalísticas “Bandidos trocam tiros com a polícia e são alvejados pelos policiais”. Isso nada mais é que o processo de naturalização da morte, banalizamos a morte, e geralmente essa morte são de pessoas negras. Por isso, a citação no começo do texto - “sabe fulano levou o farelo” - expressa uma frase tipicamente amapaense, que retrata sobre como naturalizamos a morte de outras pessoas, e, ao mesmo tempo expõe como a necropolítica está agindo sobre a nossa consciência, os nossos sentimentos, nas nossas falas, sobretudo por influência do que assistimos e vemos no Amapá. A necropolítica como um processo de gerenciamento de pessoas matáveis está presente na política de Estado, na mídia (jornais) e só no fato de naturalizarmos a morte de “fulano”, estamos reproduzindo uma política de morte – necropolítica.

Arte: Arielson do Carmo


* Possui graduação em Licenciatura e Bacharelado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Amapá (2018). É membro pesquisadora do grupo de pesquisa Mídia, Política e Democracia - CNPq/UNIFAP. Tem experiência na área da Sociologia e Ciência Política, com ênfase em Processos Políticos na Mídia Digital e Políticas Públicas, atuando principalmente nos seguintes temas: Mídias Sociais, Política Brasileira, Participação Social, Diversidade e Direitos Sociais. Atualmente é mestranda do curso de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara - FCLAr da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" - UNESP. Contato: luanadarby63@gmail.com.


** Mestrando pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul - PPGAS - UFRGS Graduado em Licenciatura em sociologia pela Universidade Federal do Amapá - UNIFAP. Membro do Núcleo de Estudos da Religião - NER/UFRGS. Membro do Centro de Estudos Políticos, Religião e Sociedade - CEPRES/UNIFAP. Vinculado ao Laboratório de Estudos Etnográficos - LAET/UNIFAP. Áreas de interesse: Antropologia da religião, pentecostalismo, juventude, pensamento decolonial, relações étnicas-raciais e amazônia. Contato: clei2014cs@hotmail.com

[Vídeo] Dívida pública (Bê)

Dando seguimento de postagens de conteúdos que envolva a população negra amapaense, Bê lança uma reflexão sobre a dívida pública. Ou seja, ela aborda sobre as condições econômicas que atingem diretamente a população brasileira, e como a dívida pública acaba por prejudicar diretamente o povo negro. É um deficit fabricado. A nossa riqueza vai para determinados empresários, ou seja, boa parte da riqueza produzida por nós vai para um grupo privilegiado que controla o mercado financeiro.

O vídeo tem como base de reflexão as análises da Maria Lúcia Fattorelli.


[Live] Enegrecer a política amapaense (Welliton Brasil e Cleiton Rocha)






domingo, 12 de julho de 2020

[Live] Enegrecendo a política amapaense (Luana Darby e Cleiton Rocha)

Esse vídeo faz parte de um projeto coletivo de pessoas negras amapaenses comprometidas em analisar, propor e fazer da política amapaense um movimento fundamentado na negritude. O nome de projeto chama-se "Enegrecer a política amapaense: Lançamento de candidaturas negras", essa iniciativa nasce de pessoas que não se conformam com o mundo atual que tem relegado as pessoas negras a subalternidade, silenciamento e apagamento. Logo, é necessário valorizar as nossas intelectualidades negras locais, estética, e a potencia da juventude negra.

#NÓSPORNÓS

#TUDONOSSONADADELES!

Vem com nós meus considerados (as)!

Por uma utopia negra da política local, monstra tua voz povo preto!