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7° Marcha da Periferia de Macapá sai às ruas reivindicando direitos para o povo periférico

O ato aconteceu no bairro do Congós e reuniu movimentos sociais, organizações e populares


Por Gil Reis/Utopia Negra


Com o tema “Não voltaremos pras senzalas e nem para os porões da ditadura", a 7° Marcha da periferia ganhou as ruas do bairro do Congós no último sábado, 28 de novembro.

a 7º Marcha da Periferia percorreu as ruas do bairro do Congós

A manifestação reuniu movimentos sociais e mobilizou a sociedade civil em torno de reivindicações de garantia de direitos aos povos periféricos do Amapá e percorreu as ruas do bairro chamando a população à ação. Além da passeata, a Marcha também contou com apresentações artísticas e uma programação especial para as crianças na sede do CASP envolvendo brincadeiras e cultura.


Descentralizar para mobilizar


Para Carmem Duarte, presidente do Centro de Atividades Sociais da Periferia - CASP, a realização da Marcha no Congós é importante para alcançar quem não pode se deslocar para o centro da cidade ou mesmo quem não tem acesso à informação para tomar conhecimento do evento “O pessoal da periferia não tem como sair e deixar as crianças, quando essa reivindicação vem até aqui é quando eles podem participar”. Outro ponto levantado por Carmem é a falta de formação de política para a periferia, circunstância à qual a realização de atos descentralizados também combateria “O tema vem muito focado nessa parte política, aqui as pessoas ficam caladas quando retiram nossos direitos.Trazer a Marcha para cá também é um meio de fazer as pessoas reivindicarem, se mobilizar ”.

Para Alzira Nogueira, coordenadora da Central Única das Favelas CUFA - AP que compõem a organização, a construção da Marcha é um processo político de extrema importância, e vai além disso “Nossa missão é promover as potências políticas, culturais e econômicas que já existem na periferia e que precisam de visibilidade.Esse processo de construção da Marcha é um processo de gerar potências”. Mais um papel da Marcha, segundo Alzira, é promover também o encontro de lutadores sociais oriundos da periferia para colocar as pautas das suas comunidades em evidência e chamar a atenção do poder público.


A Marcha da Periferia no Amapá


A Marcha da Periferia nasceu no Maranhão em 2006 através do Movimento Hip Hop Quilombo Urbano, posteriormente vindo a integrar o calendário de manifestações da central sindical CSP-Conlutas. No Amapá a Marcha acontece desde 2014 e já passou por lugares como o centro de Macapá e o conjunto habitacional Macapaba, além do bairro do Congós que já recebeu 3 edições do evento. Segundo Welliton Brasil, advogado e membro da Utopia Negra Amapaense, a Marcha é composta por vários movimentos e coletivos sociais e apesar de ter um tema diferente a cada edição, sempre tem como objetivo denunciar a opressão das populações periféricas por parte do estado “A Marcha é um evento que é construído principalmente dentro do calendário do Novembro Negro e buscar ser um dia de denunciar os ataques do governo e denunciar que não vivemos num regime democrático, que não há democracia material para a maioria da população que é trabalhadora e mora em periferias”.

Hoje, a fome é um dos maiores problemas enfrentados pelas populações periféricas

A professora e pedagoga Cynthia Amaral, militante do Movimento de Afrodescendentes do Amapá - Mocambo, completa relatando que hoje a maior necessidade das periferias do Amapá é o acesso a alimentação “ A gente percebe a maior necessidade que se instalou, com esse governo fascista e a crise sanitária, é a fome, a comida. Mas além disso também a saúde e a educação” e ainda explica que através da união dos movimentos sociais com a comunidade é possível fortalecer a periferia. É o que também diz a trabalhadora social Maricilia Silva “As comunidades em geral não têm tempo, trabalham muito e ganham pouco. Por isso nos juntamos para fazer a Marcha da Periferia, para reivindicar os direitos do nosso povo”.

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