• UTOPIA NEGRA - ENEGRECER A POLÍTICA AMAPAENSE

RESPEITE A NOSSA LUTA! COTA NÃO É ESMOLA, É UM DIREITO NOSSO E NÃO DOS BRANCOS

Por: Elane Carneiro de Albuquerque

Foto: Mariana Manieri Pires Cardoso/Comunica UEM


Desde a implementação do sistema de cotas via obrigatoriedade de lei federal, a Unifap (Universidade Federal do Amapá) virou um campo de guerra explícito entre quem tem direito às cotas raciais e quem insiste em perpetuar uma sociedade estruturada nas desigualdades raciais, diga-se, parte importante e significativa de docentes, especialmente dos cursos considerados de elite, como Medicina, sistema judiciário, políticos e candidatos/as que acham que foram "prejudicados/as" pelo sistema e pela Banca de Heteroidentificação.


Lembrando que a implementação da Banca também foi uma conquista para combater as fraudes nas autodeclarações, que não são poucas. Portanto, as Bancas de Heteroidentificação das IES e IF de todo o país são constituídas de pessoas com alto conhecimento das questões étnico-raciais, mas que a corja de racistas insiste em desqualificar.

Os conflitos em torno do acesso a este espaço sempre estiveram presentes na nossa história de um país colonizado a partir da invasão de território indígena e sequestro de pessoas africanas para mão de obra escravizada. Neste contexto, os dados apresentam grande desvantagens para população negra e indígena, obviamente.


A luta pelo direito a educação sempre foi a principal luta do movimento negro, por compreender que este espaço é significativo no enfrentamento do racismo no Brasil e de suas desigualdades.

É impressionante como em pleno século 21 ainda existam pessoas, e pior, agentes públicos da educação e do poder judiciário e representantes da população que, ou não possuem a mínima noção da nossa história e, consequentemente, das desigualdades sociais desta história marcada pela colonialidade eurocêntrica racista e patriarcal; ou de fato, estas são só declaradamente racistas, criminosas, antiéticas e mau caráter mesmo!


Sinceramente, uma vergonha para a sociedade brasileira é uma sentença judicial a favor de pessoas que não reconheceram a decisão das Bancas de Heteroidentificação.


Uma vergonha é o docente de universidade pública promover e incentivar a desqualificação de seus colegas da banca e sortear vagas de pessoas negras cotistas.


Nem sei como expressar minha indignação em relação a essas pessoas e a todo esse processo!


Nojo!



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